Abolição da escravidão no Brasil – Resumo da história, Datas e Leis

Cerca de 10 milhões de seres humanos foram transportados para a América, entre os séculos XVI e XIX, por navios ingleses, portugueses, espanhóis, franceses, holandeses, entre outros, para trabalhar como mão-de-obra escrava. 4 milhões dos que sobreviviam ao atravessar o "verde-mar das trevas" –como chamavam os árabes ao Atlântico–, foram para o Brasil. Ali o comércio humano floresceu rapidamente.

Um breve ciclo econômico do pau-brasil, durante os primeiros anos de colônia até 1530, seguiu-se o crescimento da cana-de-açúcar como principal cultura de exportação, que se estendeu até o início do século XIX, quando as plantações de café tiraram o seu lugar privilegiado ao açúcar. Tanto as plantações de cana-de-açúcar, como as de café, utilizavam mão-de-obra escrava em larga escala. 



Mudanças e continuidades


No início do século XIX, cerca de 30% da população no Brasil eram escravos de origem africana e afro-descendente. Outros 30% o constituíam mulatos e negros livres (2).

Como instituição social, a escravidão se manteve ao longo de quase todo o século XIX no Brasil, moldando um modelo de racismo, que permeaba toda a sociedade. Conseguiu sobreviver às crises ocasionadas pela superação da colônia, após o estabelecimento –inédito na história das monarquias europeias– a casa real de Bragança, no Rio de Janeiro, em 1808, fugindo da invasão napoleônica a Portugal.

No entanto, essas mudanças não significaram grandes rupturas para a população escravizada, os carregamentos continuavam chegando ao porto de agora metrópole, Rio de Janeiro, mas também, e com maior intensidade para a Bahia, Recife, Pernambuco e Maranhão. As plantações continuaram abrigando milhares de escravos, cujos donos estavam calculando a sua vida útil em cerca de um ano.

Após a declaração da independência em 1822 e a constituição do Império do Brasil, intensificaram-se os laços com a Grã-Bretanha, que foi uma das primeiras nações a reconhecer a sua independência. A grã-Bretanha, que havia sido um grande comerciante de propriedade humana, começava a ter –entrado o século XIX– os interesses políticos e econômicos em pôr fim ao tráfico de escravos (entre outros motivos, com o desenvolvimento da revolução industrial aumentou a necessidade de novos mercados para colocar seus bens). Estas pressões (classificados como "cheia de hipocrisia", a França e outras nações), se juntaram aos incipientes movimentos abolicionistas, de caráter predominantemente urbano que floresceram nas primeiras décadas do século XIX e a influência entre os escravos, a Revolução Haitiana.

A oligarquia proprietária, aumentou o número de escravos que entraram no Brasil nos anos que antecederam a 1831, ano em que se declarou ilegal o comércio. Assim, entre 1800 e 1850 entraram um milhão de pessoas em condição de escravidão, 700.000 fizeram entre 1830 e 1850.

A atmosfera de meados do século XIX, parecia estar condicionada pelas pressões britânicas, a crescente influência das idéias liberais com ascendente em movimentos abolicionistas e as revoltas, insurreições organizadas, crimes de mestres, etc., protagonizadas pelos escravos, que para a década de 1870, propiciaram as condições para o estabelecimento da Lei do Ventre Livre (1871) e, mais tarde, em 1885, a lei que libertava os sexagenarios.

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